
A Rede de Acolhimento Familiar inicia a concretização da orientação do texto “Anunciar o Evangelho da Família é a nossa missão”, que refere:
“Para os casais que passam por dificuldades e momentos de crise, revela-se urgente um ministério da reconciliação. Para além disso, muitos podem sofrer «injustamente a separação, o divórcio ou o abandono, ou então foram obrigados, pelos maus-tratos do cônjuge, a romper a convivência. Não é fácil o perdão pela injustiça sofrida, mas constitui um caminho que a graça torna possível» (AL 241). Para responder a estas situações serão instituídas na diocese do Porto equipas, constituídas por casais, médicos, psicólogos, juristas, mediadores de conflitos e sacerdotes, para promover uma pastoral da reconciliação e da mediação. Pretende-se que estas equipas estejam espalhadas por toda a diocese, havendo pelo menos uma em cada região pastoral. A sua missão será de acolher os casais em crise, ou apenas o cônjuge que o solicitar, e de procurar caminhos para a solução ou a atenuação dos problemas apresentados, através do diálogo com casais experientes e de sólida formação, sacerdotes e, sempre que necessário, com os profissionais mais habilitados para os problemas identificados. A apoiar e para facilitar o acesso a estas equipas, serão disponibilizados contactos telefónicos para uma primeira interação com pessoas habilitadas a uma análise preliminar da situação e seu encaminhamento para a ajuda que se revelar mais necessária.
Será também missão destas equipas garantir, de todos os modos possíveis, um acesso mais fácil dos fiéis à justiça. Por isso, estas mesmas equipas proporcionarão um acolhimento às pessoas separadas tendo em vista a investigação preliminar do processo matrimonial (AL 244), para o que receberão formação adequada.”
É importante clarificar que não é missão da Rede o atendimento de situações de carência económica ou de procura de emprego.
A Rede que agora se apresenta é ainda insuficiente, quer nas valências que integra quer na cobertura geográfica da diocese. A indicação pelos sacerdotes e equipas de pastoral familiar de novos elementos que a possam integrar é fundamental para podermos caminhar para o objetivo duma presença em todas as Vigararias, como nos pede o nosso Bispo.
No verso deste texto segue a lista dos integrantes atuais da Rede, numa atitude de voluntariado. Esta listagem não pode ser publicamente difundida e destina-se exclusivamente ao uso dos párocos que pretendam encaminhar para a Rede alguma situação que lhes seja apresentada.
Quando algum sacerdote pretenda este serviço, pode contactar o membro da Rede que lhe pareça mais conveniente, comunicar-lhe a situação e facultar-lhe o contacto da pessoa ou pessoas a assistir. Cabe ao membro da Rede estabelecer o contacto com essa pessoa e agendar um ou mais encontros, nunca o contrário.
Alternativamente, qualquer pessoa pode contactar a Rede através dum dos telefones de contacto indicados no cartaz que anuncia a Rede (966 719 477 ou 964 376 076). Esses telefones são de duas religiosas que, após receberem o contacto e compreenderem a situação, a encaminharão para um membro da Rede que procederá como já indicado atrás.
O SDPF está à disposição para esclarecer dúvidas que possam surgir e agradece desde já a colaboração de todos para o reforço e disseminação desta Rede.
Leia também a mensagem do nosso Bispo:
Quando se fala em “rede”, vem-nos à mente o instrumento com que se capturam os peixes. Para nós, humanos, isso é sinal de vida, pois também nos alimentamos deles. Mas para os peixes não o será tanto…
Não é neste segundo sentido que usamos a palavra “rede”. Aqui, apenas queremos exprimir que, para o trabalho com esta realidade bela e complexa que é a família, são úteis e necessários muitos contributos, articulados entre si e superiormente coordenados. Por isso é que falamos, por exemplo do “trabalho em rede”.
A experiência ensina-nos que muitas crises pelas quais, em algum momento, passam praticamente todas as famílias não dariam em rutura se alguém se tivesse aproximado e trouxesse os esposos à realidade. E mesmo depois de consumados esses momentos negros, as partes continuam a necessitar de um apoio, de um conforto, de uma luz que as ajude a reencontrar-se na nova situação.
Por isso, o Papa Francisco pede insistentemente que a Igreja não se preocupe somente com a preparação dos noivos para o matrimónio, mas que acompanhe continuamente, muito de perto, as famílias já constituídas. A esta atitude chamamos “o desafio da consolidação”. E por vezes, numa fase posterior, “o desafio da compaixão e da integração”.
Graças a uma conjugação de esforços entre o Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar, outros organismos voltados para a família e as Vigararias, é possível institucionalizar e oferecer a tal rede de técnicos e especialistas que em muito poderão ajudar a fazer luz em situações muito difíceis. Eu próprio confio muito nesse serviço e estou esperançado que corresponda ao que o Espírito de Deus nos sugere para este tempo.
Para já, poderemos oferecer este serviço no centro da Diocese e, com algumas limitações, em cada uma das três zonas pastorais. Gradualmente, pensamos institucionalizá-lo nas Vigararias.
Peço, pois, muita disponibilidade e colaboração àqueles que vierem a ser convidados para integrar esta rede. E muito empenho por parte de todos os agentes pastorais, mormente dos Párocos: sem esse empenho, pode existir o serviço e as pessoas necessitadas não se abeirarem dele.
Agradeço a quantos se devotam à causa da família: tenham a certeza de que realizam um dos mais válidos trabalhos pastorais. E que Deus os abençoe, bem como a todas e cada uma das famílias da nossa Diocese.
Porto, 30 de dezembro de 2018, Festa da Sagrada Família
+ Manuel, Bispo do Porto